Lido por aí

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Não resisto a citar as declarações (lidas aqui) de Olivier Blanchard, economista-chefe do FMI ao jornal Le Monde, quanto às medidas a tomar para relançar a economia e evitar uma nova "Grande Recessão": despesa pública, investimento público.
«Il vaut mieux que la relance intervienne par l'augmentation des dépenses publiques que par la diminution des recettes publiques. Autrement dit, les constructions de ponts ou les rénovations d'écoles risquent d'avoir plus d'effets sur la demande que des réductions d'impôts que les ménages sont tentés de transformer en épargne de précaution.»
A propósito destas declarações comenta Vital Moreira: “Entre nós, porém, uma direita ainda refém dos dogmas neoliberais, continua a rejeitar o investimento em obras públicas e a pedir baixa de impostos...”
Comento eu: apesar dos resultados alcançados, apesar de ser esta claramente a política do Governo, uns quantos que só se aperceberam da crise em 2008 (hehehe) consideram o Governo desgovernado por ter adoptado esta política por antecipação. Se calhar era melhor ter esperado para quando dessem por ela... a crise.

Obama e a natureza humana

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A rocha Tarpeia fica a dois passos do Capitólio. Neste último coroavam-se os imperadores romanos… caídos em desgraça eram lançados da dita rocha. É o que me ocorre quando leio algumas críticas ao futuro presidente dos USA ou a precoce desilusão de alguns que há bem pouco o aclamavam.
Cobra-se acção a Obama no que toca à faixa de Gaza. Mas em Gaza nada de novo num conflito que se eterniza e cuja solução se aguarda há décadas. Mas aos deuses é legítimo pedir milagres.
Natureza humana. É esta natureza que conduz à criação dos deuses mas é também esta natureza que conduz a uma rápida procura de razões para o derrube daqueles que são elevados a tal categoria.
De candidato do partido democrata às eleições americanas Obama foi por muitos guindado à condição de um mito, de um salvador do mundo e de guardião das ilusões duma sociedade ocidental. Com base em quê? Na cor? Na sua estratégia política ou nos seus discursos nada autorizava criar essa expectativa.
Obama lutou para ser candidato pelo Partido Democrata, foi eleito para Presidente dos USA. Não se candidatou nem foi eleito como representante da raça e muito menos como representante dos fracos e oprimidos.
Acredito que tenha representado mais uma etapa vencida por gerações de americanos que como Malcom, Luther, Ali lutaram e têm lutado para que o negro seja visto como igual na sociedade americana. Apenas mais uma etapa…
De resto, acho que vale a pena recordar um post do Sanpadjud em Abril do ano passado quando as despesas da campanha democrata já ultrapassavam os 200 milhões de dólares para colocar a fasquia no sítio certo!
A política americana mudará - isso é certo porque há diferenças entre conservadores e democratas - mas não antes da tomada de posse e no que toca a Gaza as soluções não serão milagrosas nem fruto da boa vontade como Clinton poderia explicar (como Arafat lhe explicou).

A importância do cafezinho

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Dois leões fugiram do Jardim Zoológico. Na fuga, cada um tomou um rumo diferente. Um dos leões foi para as matas e o outro foi para o centro da cidade.
Procuraram os leões por todo o lado, mas ninguém os encontrou. Depois de um mês, o leão que fugira para as matas voltou ao Zoo magro e faminto.
Passaram-se oito meses e ninguém mais se lembrou do leão que fugira para o centro da cidade, quando um dia, o bicho foi recapturado.
E voltou ao Jardim Zoológico, gordo, sadio, vendendo saúde.
Mal ficaram juntos de novo, o leão que fugira para a floresta perguntou ao colega:
- Como é que conseguiste ficar na cidade esse tempo todo e ainda voltar com saúde? Eu, que fugi para a mata, tive que voltar, porque quase não encontrava o que comer...
O outro leão então explicou:
- Enchi-me de coragem e fui esconder-me numa repartição pública. Cada dia comia um funcionário e ninguém dava por falta dele.
- E por que voltaste então para cá? Tinham-se acabado os funcionários?
- Nada disso. Funcionário público é coisa que nunca se acaba. É que eu cometi um erro gravíssimo. Já tinha comido o director geral, dois superintendentes, cinco adjuntos, três coordenadores, dez assessores, doze chefes de secção, quinze chefes de divisão, várias secretárias, dezenas de funcionários e ninguém deu por falta deles! Mas, no dia em que comi o desgraçado que servia o cafezinho... Estraguei tudo!

A certeza de que precisamos continuar

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Hoje mantemo-nos firmes e aguentamos… só isso ou tudo isso. Amanhã (um qualquer breve amanhã)… Onde falham (ou se calam) as palavras é sempre bom voltar à poesia. Seja com Pessoa:

De tudo, ficaram três coisas:
A certeza de que estamos sempre começando...
A certeza de que precisamos continuar...
A certeza de que seremos interrompidos antes de terminar...
Portanto devemos:
Fazer da interrupção, um caminho novo...
Da queda, um passo de dança...
Do medo, uma escada...
Do sonho, uma ponte...
Da procura, um encontro...
Seja com Brecht:
Há homens que lutam um dia, e são bons;
Há outros que lutam um ano, e são melhores;
Há aqueles que lutam muitos anos, e são muito bons;
Porém há os que lutam toda a vida
Estes são os imprescindíveis

Playing for Change

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Playing for Change – Peace Through Music é uma fundação que se dedica a linkar o mundo através da música apoiando músicos e as suas comunidades ao redor do mundo.
A paz através da música. O documentário "Playing For Change: Peace Through Music" é um desses exemplos - mais duma centena de músicos interpretaram covers neste documentário que demorou cerca de três anos a gravar, das ruas dos USA e da Europa, aos Himalaias, a África. Fica esta fabulosa versão do Stand by Me