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20 anos depois

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Tiananmen. 20 anos se passaram. Na memória colectiva de várias gerações a foto de Jeff Widener conhecida como "O Rebelde Desconhecido de Tiananmen". Símbolo de uma coragem consciente e determinada. Sabiam mas não recuaram.
Centenas (ou mais) de pessoas morreram na violenta intervenção do exército contra a manifestação pacífica de estudantes, trabalhadores e cidadãos comuns que durante algumas semanas ocupou a Praça Tiananmen, no centro de Pequim depois da morte em Abril de 1989 de Hu Yaobang, o líder comunista afastado do poder por defender reformas liberais.
100 mil manifestantes ocuparam a Praça Tiananmen para o seu funeral. Esperava-se a intervenção e aconteceu. Com a violência esperada.

Comigo Caminhas

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Este Inverno que me dói sempre. Comigo caminhas... mas faz-me falta o sempre.

"E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente.
Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros.
Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram.
Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre
."

Miguel Sousa Tavares

Carlos Cardoso, Jornalista

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O jornalista, proprietário e editor do jornal "Metical", Carlos Cardoso morreu no dia 22 de Novembro de 2000, em Maputo. Foi assassinado quando investigava a corrupção e a lavagem de dinheiro e nos seus artigos mostrava-se convicto de que o crescimento de Moçambique era suportado pelo negócio da droga e da especulação imobiliária que tinha como principais beneficiários um grupo restrito de pessoas.
No último artigo que publicou referia que o dinheiro da droga era lavado através do BCM e do Banco Austral com cumplicidade oficial. Curiosamente depois da morte de Carlos Cardoso, o Banco Central tomou o controlo do Banco Austral e nomeou para a sua direcção António Siba-Siba Macuacua, que também foi assassinado a 11 de Agosto de 2001.
Em Janeiro de 2003, seis pessoas foram condenadas pelo assassínio, entre elas Aníbal António dos Santos Júnior (Anibalzinho) mas ficou sempre no ar a questão dos outros mandantes.
Vêm-me à memória as palavras de Mia Couto sobre Carlos Cardoso: Morreu porque «a sua aposta era mostrar que a transparência e a honestidade eram não apenas valores éticos mas a forma mais eficiente de governar. Morreu por ter recusado sempre as vantagens do Poder. Morreu por ter sido, por continuar a ser, o que muito poucos conseguem: Jornalista.”
Também poeta…
À noite quando me deito
em Maputo
não preciso de rezar.
Já sou herói.