Não voto! OK é um triste costume meu. Mas isso não quer dizer que não acompanhe com atenção e interesse as eleições. Acompanhei a forte campanha do MPD na Praia, pôs no terreno meios que demonstravam claramente que apostou tudo nestas autárquicas, até no discurso tentou fazer destas eleições umas primárias das legislativas. Do PAICV da Praia vi tentativas de acompanhar a pedalada dos outros mas sempre com déficits de marketing político e uma confiança (grande) no animal político que Filú é e no eleitorado fiel que tem. Acompanhei as sondagens duns e doutros, todas com margem para Filu.
Por isso surpreendi-me num primeiro momento quando Ulisses cantou vitória. Primeiro pela vitória! Depois quando confirmei o número de mesas contadas entrei em estupefacção! Só podia ser brincadeira! Com 34 mesas contadas num universo de 130 e um ridículo avanço de 300 votos? Como? Como pode alguém em sã consciência declarar-se vencedor?
Quem pretendia ele enganar? O PAICV? Acho que não!
Sabe Ulisses contar tão bem (ou melhor) que eu e sabe que no decurso da contagem tudo vai mudar. Sabe que faltam as mesas maiores... Também sabe que tal como o MPD o PAICV vai tendo os números. Dificilmente cairá na patranha (porque de patranha se trata) de assumir uma derrota. Claro que Filú e Zé Maria Neves ficam com uma situação difícil para gerir. O prevísivel atraso da CNE joga a favor de Ulisses. E Ulisses joga. Joga com os apoiantes e militantes do MPD. Tenta colocar gente nas ruas e causar diversão para que não pensem. É grande a festa de quem tem 200 votos de avanço com menos de 25% das mesas contadas! Demasiado grande...
O PAICV aguenta-se. Filú fala com serenidade. Sabe que a dúvida e a desmotivação se vão instalar entre os seus mas prefere visivelmente manter a calma nas hostes. Não põe gente nas ruas. As ordens são claras: os meus números dão-me vitória, vamos recontar e esperar os resultados oficiais. E silêncio. Não entra no jogo! Não joga com os seus.
Pela primeira vez percebo o porquê desta paixão dos praienses por Filu. Não sacrifica a cidade, nem os seus.
Está certo!
Mais uma vez uma triste estratégia a do MPD e do Ulisses. A estratégia de quem julga cegos os seus militantes. A estratégia de quem escolhe faltar ao respeito à Praia, aos praiense mas acima de tudo ao seu eleitorado.
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