Joint na blogolândia

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Discutir as soluções para um turismo sustentável pareceu-me uma ideia interessante. Não participei porque em Outubro de 2007 postei neste blog sobre esse mesmo assunto e as minhas ideias mantém-se as mesmas, poucas correcções faria ao post.
Nesse post referia que a sociedade cabo-verdiana deveria ser mais pro-activa e participar largamente na discussão da temática. Com seriedade. Porque somos guardiões da sobrevivência que nos foi legada. Discussão que pode e deve ser útil na procura de alternativas viáveis - sublinho o viável - nesta dicotomia que enfrentamos. Exemplo desta permanente procura de equilíbrio é o contraponto entre as críticas acentuadas ao projecto Murdeira (seja ele qual for e sem cuidar de obter informação sobre a absorção ou não das recomendações) e a reclamação por uma marina no Tarrafal divulgada por um blog: "Anseia-se pela chegada de um aeroporto, de uma marina por algo que traga prosperidade."
É neste terreno movediço que Cabo Verde se move.
Recupero - acrescentando apenas alguns bolds - parte desse post do Con(ou sem)tigo de 2007:
"Cabo Verde é um país periférico e arquipelágico, que vive um período de transição, do grupo dos países menos avançados para o dos países de desenvolvimento médio – uma proeza se tivermos em conta os escassos recursos e os trinta e poucos anos que o país tem.
Transição ou encruzilhada? Neste mundo globalizado, em que a competitividade é deificada, pode um pequeno país lutar por um desenvolvimento que permita satisfazer as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras satisfazerem as suas?
Enfrentar os complexos desafios que se colocam a Cabo Verde, desde a redução da dependência energética, à exploração sustentada do turismo tendo em conta os seus impactes ambientais, sociais e económicos e o seu valor estratégico, passando pelo tratamento dos resíduos, não é fácil. E menos fácil é se atentarmos na necessidade de investimento externo para assegurar o tal desenvolvimento e na necessidade de competitividade. Convenhamos!Mas a verdade é que é preciso termos consciência que a competitividade não se pode dissociar do ambiente e da sua protecção. Um exemplo é naturalmente o desenvolvimento do turismo, actualmente, a nossa galinha de ovos de oiro, assume uma importância relevante e crescente em termos económicos mas impõe que sejam prevenidos os impactes negativos e de natureza cumulativa e dentre estes:
- construção de grandes infraestruturas na zona costeira;
- poluição da água do mar e das praias;
- perda de biodiversidade resultante, por exemplo, da erosão das dunas devido a construções e pressões das actividades dos visitantes;
- problemas urbanos, por exemplo a prostituição registada em muitos locais de grande afluência turística.
Ora, a qualidade de vida e as riquezas naturais e paisagísticas são o recurso primordial do turismo – sendo precisamente as suas principais vítimas no contexto de um desenvolvimento não sustentável. São claros os efeitos negativos que a diminuição da qualidade do ambiente tem na procura turística. Mata-se a galinha…
É certo que, Cabo Verde tem utilizado, uma das chaves do sucesso de uma estratégia de desenvolvimento sustentável: a educação para a cidadania, que de facto se revela como uma condição indispensável da mudança de paradigmas culturais e valores éticos, sem a qual não há “governação responsável”, nem participação pública.
Mas falta informação, falta mobilizar e ajudar a sociedade civil a encontrar por ela própria soluções locais sustentáveis e a participar largamente na discussão da temática (como aconteceu há bem pouco tempo com o caso das descargas de águas residuais não tratadas com contaminação microbiana das águas costeiras), do enfrentamento dos desafios e a transformar-se na guardiã (não de tesouros) da sua sobrevivência. "
Um reparo: nenhum empreendimento trará por si só desenvolvimento. Abre um conjunto de oportunidades que podem ou não ( e normalmente não o têm sido) aproveitadas pela comunidade local, seja a pequena empresa de turismo de aventura, seja a hidroponia (nenhum hotel gosta de importar alfaces o que encarece o custo), seja o artesanato... mas isso fica para outro post.
Finalizando: li a maior parte dos posts (uns menos reflectidos que outros, uns mais politizados apesar dessa politização não ser sustentada a meu ver nas opções e estratégias de desenvolvimento de cada partido e nos recursos que pretende colocar nessas opções, outros idealistas mas sem soluções de viabilidade, outros reflectidos e atentos... ) e gostei da iniciativa. Espero que seja para continuar.

5 comentários:

Edy disse...

O Turismo foi o tema do 2º blog joint (a 1ª tinha sido sobre o ensino superior em cv)...devias participar e,se quiseres entrar no "joint",podes pedir no Bianda para te adicionar no grupo...serás,sem dúvida,uma participante de peso e,por isso,muito bem vinda.
Abraço

MM disse...

Olá Edy.
Teria todo o prazer. Essa referência ao peso complicou-me os nervos... isso nunca se diz a uma mulher hehehe.

Edy disse...

Tens toda razão!Foi falta de delicadeza da minha parte.
Retiro o que disse.No lugar de "peso",pode ficar "categoria"...

MM disse...

hehehe Fico muito susceptível à palavra peso. hehehe Não que admita um ligeiríssimo excesso que fosse.

Edy disse...

Olá MM,
já tas oficialmente convidada para entrares no Blog Joint...no lado direito do blog Bianda vais encontrar uma lista de blogues que fazem parte do joint.A data a frente de cada blogue refere-se ao dia que o respectivo é que vai propor o tema para o post do joint...seria útil que indicasses um email para onde devemos encaminhar as propostas e as novidades...seja bem vindo..abraço