Dois dos meus favoritos de Neruda, recitados por ele próprio: "Me gustas cuando callas..." e "Puedo escribir los versos mas tristes esta noche"
Fecho com um extracto dum poema que me acompanha/seduz desde a juventude:
Caminante, son tus huellas
el camino y nada más;
caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.
Al andar se hace camino
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.
Há poetas que têm um efeito especial. É o caso de Pessoa.
Trabalho espectacular.
Hoje mantemo-nos firmes e aguentamos… só isso ou tudo isso. Amanhã (um qualquer breve amanhã)… Onde falham (ou se calam) as palavras é sempre bom voltar à poesia. Seja com Pessoa:
A certeza de que estamos sempre começando...
A certeza de que precisamos continuar...
A certeza de que seremos interrompidos antes de terminar...
Portanto devemos:
Fazer da interrupção, um caminho novo...
Da queda, um passo de dança...
Do medo, uma escada...
Do sonho, uma ponte...
Da procura, um encontro...
A certeza de que estamos sempre começando...
A certeza de que precisamos continuar...
A certeza de que seremos interrompidos antes de terminar...
Portanto devemos:
Fazer da interrupção, um caminho novo...
Da queda, um passo de dança...
Do medo, uma escada...
Do sonho, uma ponte...
Da procura, um encontro...
Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo
Passei por Quintana e não resisti a trazer comigo:
"Confissão
Que esta minha paz e este meu amado silêncio
Não iludam a ninguém
Não é a paz de uma cidade bombardeada e deserta
Nem tampouco a paz compulsória dos cemitérios
Acho-me relativamente feliz
Porque nada de exterior me acontece...
Mas,
Em mim, na minha alma,
Pressinto que vou ter um terremoto!"
e mais uma:
"Às vezes tudo se ilumina de uma intensa irrealidade
E é como se agora este pobre, este único, este efêmero instante do mundo
Estivesse pintado numa tela,
Sempre..."
Is there anybody out there?
Postado por MM às 23:48 Marcadores: Coisas de que gosto, Pink Floyd, poesia, youtube(y) x (Som + Mar - areia) + Poesia = Pink Floyd.
Equação só possível aos dezasseis ou talvez sempre! Daquelas que não consigo passar muito tempo sem ouvir: I have become comfortably numb. Did I?
Gang dos poetas vivos, doridos mas vividos
Postado por MM às 21:35 Marcadores: Coisas de que gosto, poesiaQue onda poética esta! Sem copos e sem fogueira, longe das dunas e do som doce do mar a desfazer-se na areia, revisitamos a poesia?! Assustador.
OK, ok, cantado por Trovante um belíssimo poema de...?
Ser Poeta
Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!
É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!
É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!
E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!
Os jornais da manhã publicam a notícia
de que os viram passar de mãos dadas sorrindo
numa rua serena debruada de acácias
Um velho sem família a testemunha diz
ter sentido de súbito uma estranha paz interior
uma voz desprendendo um cheiro a primavera
o doce bafo quente da adolescência longínqua
Daniel Filipe
No regresso encontro um quase silêncio.
Não li as sequelas. Nem a “Iniciação”, nem a “Vingança”. A possibilidade de desilusão falou sempre mais alto. Aquilo que é perfeito não tem continuação, acaba.
Não é Maltese (os traços às vezes fazem lembrar), porque Maltese é imperfeito, deixa margem e esperança, espera-se (esperava-se) ansiosamente o próximo.
Há muito que não me passa pelos dedos uma boa BD. Sei lá, Bilal, Thorgal, até Brubaker apesar de ter morto o Capitão América… perdi a pica quando a ficção científica começou a transformar-se em “mundo pós-apocalíptico”, “distopia” e “futuro próximo”.
Tanta conversa… Que vinha eu postar? Já me lembro: foram dias duros, nos limites e num mar imenso de dúvidas! Dias daqueles que gosto, stress, adrenalina e sentir-me Alive and kicking.
Uma foto e umas palavras reconduziram-me a Brecht, e à poesia. Fica mais um dos que gosto, Carlos Drummond de Andrade:
"Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim."
se encontraram num bar de hotel
numa tarde de chuva
entre zunidos de conversa
e inventaram o amor com caracter de urgência deixando cair dos ombros o fardo incómodo da monotonia quotidiana
e souberam entender-se sem palavras inúteis
Apenas o silêncio A descoberta A estranheza
de um sorriso natural e inesperado
Não saíram de mãos dadas para a humidade diurna
Despediram-se e cada um tomou um rumo diferente"
Para lembrar. E, porque se fala de "Claridade"!
Postado por MM às 02:46 Marcadores: Cabo Verde, Claridade, Flagelados do Vento Leste, poesiaHá poemas que retratam e também fazem a alma de um povo. Um dos meus favoritos de Ovídio Martins, poeta cabo-verdiano.
Nós somos os flagelados do Vento-Leste!
A nosso favor
não houve campanhas de solidariedade
não se abriram os lares para nos abrigar
e não houve braços estendidos fraternamente para nós
Somos os flagelados do Vento-Leste!
O mar transmitiu-nos a sua perseverança
Aprendemos com o vento o bailar na desgraça
As cabras ensinaram-nos a comer pedras para não perecermos
Somos os flagelados do Vento-Leste!
Morremos e ressuscitamos todos os anos
para desespero dos que nos impedem a caminhada
Teimosamente continuamos de pé
num desafio aos deuses e aos homens
E as estiagens já não nos metem medo
porque descobrimos a origem das coisas
(quando pudermos!...)
Somos os flagelados do Vento-Leste!
Os homens esqueceram-se de nos chamar irmãos
E as vozes solidárias que temos sempre escutado
São apenas
as vozes do mar
que nos salgou o sangue
as vozes do vento
que nos entranhou o ritmo do equilíbrio
e as vozes das nossas montanhas
estranha e silenciosamente musicais
Nós somos os flagelados do Vento-Leste!
